Eu achei que dava para fazer tudo pelo WhatsApp
O Jota nasceu no WhatsApp. O Davi conta por que o pequeno negócio também precisa de um espaço para pensar nos números.

Para mim, a conversa como interface sempre foi muito clara, porque eu vi muito movimento nisso lá na China. Na época do PagSeguro, eu tive a oportunidade de ir para a China dez vezes. Eu ia também para a América do Norte e ficava comparando os contextos.
Lá eu vi o WeChat, da Tencent, levar a conversa pros pagamentos e pros serviços financeiros. Pelo próprio WeChat, você consegue reservar restaurante, comprar passagem aérea e também resolver as coisas do negócio. Essa experiência formou a tese do Jota, que cuida da sua vida pessoal e do seu negócio.
Estar dentro do WhatsApp também sempre foi claro. O brasileiro está lá, então a gente tem que estar lá. Só que eu errei numa coisa: eu achei que tudo seria possível dentro do WhatsApp, e não é.
Mandar um Pix e analisar o mês são momentos diferentes

Internamente, no lugar de chamar de interface, a gente chama de surface. E a gente viu que cada surface tem sua vocação. O WhatsApp funciona muito bem para quick actions, as ações rápidas. A pessoa quer fazer uma coisa rápida. Se abrir um app para fazer um Pix, não dá: demora um minuto e meio. Manda lá no Jota: “manda 10 reais para a minha mãe”. É literalmente assim.
No Jota, dá pra pedir o Pix por texto ou áudio: o agente prepara, mostra os dados, e a pessoa confere e confirma com a senha. O pedido simples continua tendo a etapa de autorização.
Com a agenda é igual. Eu peço ao Jota três sugestões de horário no período da tarde da semana seguinte, e ele me dá.
Analisar o negócio é outra história. Você vai querer sentar, olhar no computador, ter calma e fazer um fechamento de caixa melhor, mais estruturado. Ninguém monta um fluxo de caixa pelo celular, e essa diferença entrou no jeito como a gente constrói o produto.
Eu também estou nesse trabalho de produto
Na parte do navegador, sou eu que estou fazendo, sou eu o PO, junto com o time de design. As pessoas estão comigo desde sempre, então já sabem o modus operandi: trabalham comigo desde o PagSeguro, que virou PagBank.
Gosto de estar perto dessa discussão porque ela muda a forma de entregar a ajuda. Antes de abrir mais uma interface, a gente precisa saber o que a pessoa vai fazer ali e por que aquilo pede um espaço próprio. A área no navegador ainda está em desenvolvimento, e a ideia é dar à pessoa um lugar pra olhar o negócio com calma.
Com o app a gente também está aprendendo. A gente lançou o app, e eu sou o primeiro a ser exigente com ele. Cada versão chega mais perto do que eu quero entregar pra quem usa, e ainda tem trabalho pela frente.
A conversa continua no centro, mas precisa servir ao pedido
Nossa visão continua a mesma desde o primeiro dia: colocar todos os aplicativos em uma única conversa. A gente quer ser a melhor empresa do mundo em serviços financeiros por conversa, seja no WhatsApp, no app ou onde mais a pessoa quiser falar com o Jota. Essa ambição continua, e por isso mesmo ela precisa ser testada enquanto a gente constrói. Quem está comparando informações talvez precise ver tudo de outro jeito. Quem só quer fazer uma pergunta rápida não deveria cair numa experiência mais trabalhosa.
O mesmo dia tem os dois momentos. Você manda um Pix pelo celular de manhã e, mais tarde, senta pra olhar as contas. Escolher a interface faz parte de entender a tarefa, e acreditar no conversacional não me dispensa de olhar pro que a pessoa veio fazer.
O WhatsApp deu ao Jota um começo muito bom dentro da rotina das pessoas, e eu continuo acreditando nele. Pra ajudar mais, a gente precisa saber também quando a pessoa quer sair da ação rápida e se dedicar a um trabalho que pede mais espaço.
Eu acredito que o futuro da computação será conversacional, e fico feliz de construir isso a partir do Brasil. Este é só o começo.